Saturday, December 12, 2015

Poema de fim de uma tarde de quase verão



Mata-me como a um inseto vil...
Voltarei em espírito para assombrar teus sonhos...
Bebe-me como um vinho amargo...
Voltarei como ambrosia a adoçar a tua boca...
Fecha-me como a um livro maçante...
Voltarei em memória como uma passagem ilustre...
Apaga-me como um desenho mal-feito...
Voltarei como obra-prima das tuas próprias mãos...
Apaga-me como um resto de lume...
Voltarei como estrêla cadente a lembrar-te da minha existência...

Friday, August 21, 2015

A gente brinca sem querer

A gente brinca sem querer
Coloca na pena
O que o olho vê

E o coração sente...
Sente e consente
Sem às vezes sentido
Nem mesmo contexto
Mas com sentimento

Mescla de letras,
Mistura de sons,
as palavras da gente
ecoam no cerne
do coração e da mente
.

Pois poeta que sou,
e poeta não mente,
apenas brinca contente
no branco da folha silente...



Florianópolis, 21 de agosto de 2015.

Tuesday, June 30, 2015

De Nada A Nada



Cada nada
Na calada
Dada a nada
A danada
Nada de danada
 
Dadá-ismo
Na cilada
Se não dada,  
Ou-torgada  
Togada com nada
Desnudada, pelada  
Perdida na madrugada  
Ela nunca me foi dada!

Florianópolis, 30/06/2015.

Sunday, June 28, 2015

In ancient times



In ancient times
I have lost my mind
What seemed to be lost
I have never been able to find
I have walked through lines
Of heartless people
With no soul or face to bear
As if lost I were
Amidst a multitude of strangers
Who spoke a language I could not understand
Only the feelings of despair...

Florianópolis, June 28, 2015.

Sunday, May 10, 2015

Memórias e cais


O cais revolto
Na sua paz
De memórias a passar
Que o vento me traz
E faz a pele arrepiar
Como um calafrio quente
Um sol poente
Ou um mero sorriso perdido
No meio da gente
Que passa e não sente
Que o tempo parou
Por um milissegundo
Um instante tão ínfimo
Mas infinito
Como a vida
Que passa à minha frente.


Florianópolis, 10/05/2015.

Sunday, March 22, 2015

O Quê.


Quisera o quilombo
Da Quimera querida
a quarar na quietude
Quântica do quanto
Se quer quartejar
O quarup.
Qual um quartzo
Quiça um quasar
Um quebra-cabeça
Um quebra-luz
Quente qual uma queixa
Um quelelê
Sem quê nem porquê
Uma querela
De querubins
O quanto antes
Melhor que quando
Quando dantes
Quiserámos o quantum.


AAPLF, Florianópolis, 22 de março de 2015.

Haiku de Outono / Autumn's Haiku

ventosulchegou
outonoveiojunto
eeuestou

southwindhasarrived
Autumntogethercametoo
andstillhereIstand


AAPLF, Florianópolis, 22 de março de 2015.

Saturday, February 28, 2015

E assim se vai...



E assim se vai
O que nunca foi
E deixou de ser
Sem ter sido ao menos
Um passo perdido
Um lamento ao vento
Quiçá uma queixa
À mais linda gueixa
No tatame da vida
Que cala e consente
Sem medo e sem mente
Semente de medo
Me dou por ser mente
Errante no lapso
De tempo no instante
Que volta e assombra
O meu pensamento...


Florianópolis, 27 de fevereiro de 2015.

Friday, February 27, 2015

February haiku / 2月俳句 / Haiku de Fevereiro

February haiku

the stars in the sky,
the wind is blowing,
and time is frozen


2月俳句

空の星、
風が吹いている、
と時間が凍結されている

2 Tsuki haiku
Sora no hoshi,
-fū ga fuite iru,
to jikan ga tōketsu sa rete iru


Haiku de Fevereiro

As estrelas no céu,
O vento está soprando,
E o tempo foi congelado


F’polis, SC, 27/02/2015.

Monday, February 16, 2015

Psyche lasciva

Lascivamente
A mente mente
Surpreendente(mente)
O desejo latente
sublima-se
na psyché errante
do ser vagante
que não se dá por vencido
por um desejo constante
Constante e perdido
nas sendas da mente
que se dissolve ao vento
Sem lograr alento...


AAPLF, Floripa, 13/02/2015.