Friday, December 11, 2020

Dize-me O Que Fazer

Dize-me o que fazer,
quando a tua voz
faze-me trêmulo
como folha ao vento
Quando a tua imagem
deixa-me cego
qual eclipse solar
Quando o teu sorriso
cria em mim um outro
Sorriso infinito
Tu, ser bonito
Tu, in spiritu, inspiração
Abismo sem fim
Do meu ser
Um anjo caído
De um sonho acordado
Por entre a realidade crua
Da qual acordo
Sonâmbulo diurno
Insone noturno
Pesadelo agradável
Sonho pesado
Pecado sem fim...


Love given, love lost

Once you unleash your love,
there's no coming back
for love given is love lost
lost but eventually returned
like ripples
that shake the surface
but spread all over
the good news - of love...
love, that is, this strange feeling
that makes us humans
that makes us animals
that makes us feel
like no one else but ourselves...

Saturday, October 10, 2020

Mystery / Mystère

 

Mystery

I'm going to die

Without a shadow of despair

I'm going to survive

Without a shadow of guilt

I'm going to free myself

From the shackles of time

I'm going to break free

From the shackles of the past

I'm going to cross that bridge

To see it leads me nowhere

I'm going to turn blind

To see my own light

I'm going to drown myself

In a sea of mystery

To find a path

Through the riddles

Of your own self

I'm going to dive

Into a sinful ocean

And await for my redemption

As my saviour comes to my rescue.

Mystère

 

Je vais mourir

Sans l'ombre du désespoir

Je vais survivre

Sans l'ombre de la culpabilité

Je vais me libérer

Des chaînes du temps

Je vais me libérer

Des chaînes du passé

Je vais traverser ce pont

Le voir ne me mène nulle part

Je vais devenir aveugle

Pour voir ma propre lumière

Je vais me noyer

Dans une mer de mystère

Pour trouver un chemin

À travers les énigmes

De toi-même

Je vais plonger

Dans un océan pécheur

Et attendre ma rédemption

Comme mon sauveur vient à mon secours.


Florianópolis, 28 de setembro de 2020.

Friday, September 18, 2020

A Escada / The Stairway

A Escada

A alma desprende-se
pela sala
Num canto,
a chama
de uma vela solitária
balança-se
num eterno
vai-e-vem
No inverno
do peito calado
soa um acorde,
um som encantado
um sino que se embala
numa eterna toada
As notas cifradas
em papel de seda
da toalha
soam secas
como um mensageiro
de vento
à janela fechada
No passo-a-passo
da escada
escapo
como o éter
se espalha pelo ar
com seu cheiro
de gosto adocicado
Um drops de menta
na boca cerrada
e o plic-plic
de uma gota
vazada
avisa-me
que a hora é chegada
que hora que nada
pois nem o minuto passou
pelo canto da escada...

The Stairway

The soul turns itself loose
Through the room
In a corner,
the flame
of a lonely candle
sways
in an eternal
back-and-forth
In the winter
of the silent chest
a chord sounds
an enchanted sound
a tolling bell
an eternal tune
The notes in chords
in the cambric paper
of the tablecloth
sound dry
like a windchime
by the closed window
In the step-by-step
of the stairway
I escape
like ether
spreads in the air
with its smell
of sweet taste
A mint
In the shut mouth
And the drip-drip
of a leaked drop
tells me
time has come
don't tell me about time
for not even a minute
has passed
by the corner of the stairway…


Florianópolis, 28 de setembro de 2020.

Foto: Angelo Freire. La Sagrada Família, Barcelona, España.

Sunday, September 13, 2020

Caminhando

Caminhei até o rio

E a ele perguntei,

“onde vais parar”

Sorrateiro, respondeu-me:

“até onde o mar me levar...”

 

Deparei-me com a brisa

E a ela perguntei,

“até quando vais soprar?”

E ligeira, respondeu-me:

“enquanto houver vento, 

enquanto houver ar,

eu hei de soprar...”

 

Refleti-me no espelho,

E a ele perguntei:

“até quando vais me imitar?”

E sorridente, respondeu-me

“quem te imita não sou eu,

a me imitar és tu

que estás...”

 

Confidenciando-me ao desejo

Eu a ele perguntei,

“quando vais parar de queimar?”

E ele lentamemente me respondeu:

“enquanto houver pensamento,

o desejo não há de cessar...”

 

Parei de caminhar,

tomei o caminho de casa

e me bati com a felicidade,

uma última pergunta 

veio-me à cabeça:

“quando tu vais chegar?”

E ela, sorrindo, me disse:

“Sempre estive aqui

e sempre vou estar”.

 

Florianópolis, 13 de setembro de 2020.

Sunday, September 6, 2020

“Flor”

Diga sim

mas não pare

Diga não

se não

Eu paro

Sem fim

Sem um ato

inato

Um simples hiato

Tal como um parto

Que nasce da dor

E murcha como flor

Sem água, sem pudor

Sem força, sem rancor

Mas linda

na secura

Em que foi eternizada

na estante da minha vida

ela resta, descansada

Flor eterna

Sem cor nem nada

Nem cheiro nem sabor

Mas sempre

ainda

Flor.

 

 

Florianópolis, 6 de setembro de 2020.

Cry not for tomorrow, cry for today

The sun bled 

sweet drops of orange

Into to my eyes as I

watched the time swirl around

moving faster than the sound

of a whisper in my mouth

For a moment I was lost

in the midst of a storm

drowning into my dreams

like a hopeless wrecked ship

to its final, deadly place

Sunken memories

floated ashore

cast away on a distant beach

lost in the eye

of my own storm

reflected on the surface

I can see my sorrowed face

Cry not for tomorrow

Cry for today

For the sun is gone

But the moon shall stay

And light up the rest of day

Or not...


Florianópolis, September 6th, 2020.

Friday, September 4, 2020

If I could love you like I should

 If I could love you like I should

If I could face the broken mirror

Look all the pieces so small

As if they were a lonely haul

But the reflections in the mirror

can bring no solace to my mind

for each image that I stare

is like a path I’ll never dare

to walk or not

to run in fear

to sit and cry

in silent tears

and once that image is all remade

I gaze at the light as it shall fade

for what I see

for what I know

is far beyond my disbelief

it’s like an ocean in a dream

that sweeps me back

like sweet relief

it brings me back

the memories

that you have laid

upon my heart.

 

 

Florianópolis, September 4th, 2020.

 

Monday, August 24, 2020

Não à míngua

Não à míngua

Desfaz-se a minha língua

Como tão perverso o distrato

Fora do preto e branco

Do retrato

Do lado (ob)(e)scuro do ser

Um lado que pessoa alguma

Consegue ver...

Perdido, virado para o universo

Assim como se perde a língua

Virada para si mesma

Que só eu mesmo percebo

E a bebo

Como cicuta

Deliciosamente mortal.


AAPLF
Florianópolis, 24/08/2020.

Sunday, July 12, 2020

Saber o que não se sabe

Saber o que não se sabe

É como apagar a vela

da memória acesa,

uma lembrança presa

na sombra da lua nova,

que se esconde

como um ser soturno

que emerge silencioso

de um oceano profundo

e acorda de um pesado sono

num mundo desconhecido.


AAPLF, 12/06/20. Florianópolis, SC, Brasil.

Sem pressa

Sem pressa,
sem hora,
sem tempo,
sem momento,
as minhas palavras se perdem no vento.

AAPLF. Florianópolis, 12/07/2020.
Carpe diem!