Dize-me o que fazer,
quando a tua voz
faze-me trêmulo
como folha ao vento
Quando a tua imagem
deixa-me cego
qual eclipse solar
Quando o teu sorriso
cria em mim um outro
Sorriso infinito
Tu, ser bonito
Tu, in spiritu, inspiração
Abismo sem fim
Do meu ser
Um anjo caído
De um sonho acordado
Por entre a realidade crua
Da qual acordo
Sonâmbulo diurno
Insone noturno
Pesadelo agradável
Sonho pesado
Pecado sem fim...
Friday, December 11, 2020
Dize-me O Que Fazer
Love given, love lost
Once you unleash your love,
there's no coming back
for love given is love lost
lost but eventually returned
like ripples
that shake the surface
but spread all over
the good news - of love...
love, that is, this strange feeling
that makes us humans
that makes us animals
that makes us feel
like no one else but ourselves...
Saturday, October 10, 2020
Mystery / Mystère
| Mystery I'm going to die Without a shadow of
despair I'm going to
survive Without a shadow of
guilt I'm going to free
myself From the shackles
of time I'm going to break
free From the shackles
of the past I'm going to cross
that bridge To see it leads me
nowhere I'm going to turn
blind To see my own light I'm going to drown
myself In a sea of mystery To find a path Through the riddles Of your own self I'm going to dive Into a sinful ocean And await for my
redemption As my saviour comes
to my rescue. | Mystère
Je vais mourir Sans l'ombre du
désespoir Je vais survivre Sans l'ombre de la
culpabilité Je vais me libérer Des chaînes du temps Je vais me libérer Des chaînes du passé Je vais traverser ce
pont Le voir ne me mène
nulle part Je vais devenir
aveugle Pour voir ma propre
lumière Je vais me noyer Dans une mer de
mystère Pour trouver un chemin À travers les énigmes De toi-même Je vais plonger Dans un océan pécheur Et attendre ma
rédemption
Comme mon sauveur
vient à mon secours. |
Florianópolis, 28 de setembro de 2020.
Friday, September 18, 2020
A Escada / The Stairway
|
A Escada A alma desprende-se pela sala Num canto, a chama de uma vela solitária balança-se num eterno vai-e-vem No inverno do peito calado soa um acorde, um som encantado um sino que se embala numa eterna toada As notas cifradas em papel de seda da toalha soam secas como um mensageiro de vento à janela fechada No passo-a-passo da escada escapo como o éter se espalha pelo ar com seu cheiro de gosto adocicado Um drops de menta na boca cerrada e o plic-plic de uma gota vazada avisa-me que a hora é chegada que hora que nada pois nem o minuto passou pelo canto da escada... |
The Stairway |
Florianópolis, 28 de setembro de 2020.
Sunday, September 13, 2020
Caminhando
Caminhei até o rio
E a ele perguntei,
“onde vais parar”
Sorrateiro, respondeu-me:
“até onde o mar me levar...”
Deparei-me com a brisa
E a ela perguntei,
“até quando vais soprar?”
E ligeira, respondeu-me:
“enquanto houver vento,
enquanto houver ar,
eu hei de soprar...”
Refleti-me no espelho,
E a ele perguntei:
“até quando vais me imitar?”
E sorridente, respondeu-me
“quem te imita não sou eu,
a me imitar és tu
que estás...”
Confidenciando-me ao desejo
Eu a ele perguntei,
“quando vais parar de queimar?”
E ele lentamemente me respondeu:
“enquanto houver pensamento,
o desejo não há de cessar...”
Parei de caminhar,
tomei o caminho de casa
e me bati com a felicidade,
uma última pergunta
veio-me à cabeça:
“quando tu vais chegar?”
E ela, sorrindo, me disse:
“Sempre estive aqui
e sempre vou estar”.
Florianópolis, 13 de setembro de 2020.
Sunday, September 6, 2020
“Flor”
Diga sim
mas não pare
Diga não
se não
Eu paro
Sem fim
Sem um ato
inato
Um simples hiato
Tal como um parto
Que nasce da dor
E murcha como flor
Sem água, sem pudor
Sem força, sem rancor
Mas linda
na secura
Em que foi eternizada
na estante da minha vida
ela resta, descansada
Flor eterna
Sem cor nem nada
Nem cheiro nem sabor
Mas sempre
ainda
Flor.
Florianópolis, 6 de setembro de 2020.
Cry not for tomorrow, cry for today
The sun bled
sweet drops of orange
Into to my eyes as I
watched the time swirl around
moving faster than the sound
of a whisper in my mouth
For a moment I was lost
in the midst of a storm
drowning into my dreams
like a hopeless wrecked ship
to its final, deadly place
Sunken memories
floated ashore
cast away on a distant beach
lost in the eye
of my own storm
reflected on the surface
I can see my sorrowed face
Cry not for tomorrow
Cry for today
For the sun is gone
But the moon shall stay
And light up the rest of day
Or not...
Florianópolis, September 6th, 2020.
Friday, September 4, 2020
If I could love you like I should
If I could love you like I should
If I could face the broken mirror
Look all the pieces so small
As if they were a lonely haul
But the reflections in the mirror
can bring no solace to my mind
for each image that I stare
is like a path I’ll never dare
to walk or not
to run in fear
to sit and cry
in silent tears
and once that image is all remade
I gaze at the light as it shall fade
for what I see
for what I know
is far beyond my disbelief
it’s like an ocean in a dream
that sweeps me back
like sweet relief
it brings me back
the memories
that you have laid
upon my heart.
Florianópolis, September 4th, 2020.
Monday, August 24, 2020
Não à míngua
Não à míngua
Desfaz-se a minha língua
Como tão perverso o distrato
Fora do preto e branco
Do retrato
Do lado (ob)(e)scuro do ser
Um lado que pessoa alguma
Consegue ver...
Perdido, virado para o universo
Assim como se perde a língua
Virada para si mesma
Que só eu mesmo percebo
E a bebo
Como cicuta
Deliciosamente mortal.
AAPLF
Florianópolis, 24/08/2020.
Sunday, July 12, 2020
Saber o que não se sabe
Saber o que não se sabe
É como apagar a vela
da memória acesa,
uma lembrança presa
na sombra da lua nova,
que se esconde
como um ser soturno
que emerge silencioso
de um oceano profundo
e acorda de um pesado sono
num mundo desconhecido.
AAPLF, 12/06/20. Florianópolis, SC, Brasil.
Sem pressa
sem hora,
sem tempo,
sem momento,
as minhas palavras se perdem no vento.
AAPLF. Florianópolis, 12/07/2020.
Carpe diem!
