Perdi o trem da história,
a velha história
que se renova sem glória
Como um apagão
na luz do fim do túnel
Um beco sem saída
Em uma estrada perdida
à beira de um precipício
que era apenas o início
de uma loucura sã
de uma mente insana
onde o início se faz fim
e o fim se desfaz no mar
Mar de anseios perdidos
no arfar sem fôlego
de antes
amantes em fogo
em chama ardente
um sol poente
fundindo-se ao mar
evaporando meus pensamentos
em vapor d’água fria
da chuva congelante
que pára no ar
como num quadro hiperrealista
a realidade se desmonta
como peças de um jogo
de criança
e eu aqui a catar
os pedaços
do que sobrou
do meu lamento.
Florianópolis, 22 de março de 2021.